21.4.16

Memórias de uma Ponte Escrita

Ainda a rememorar alguns episódios da passagem pela Ponte Escrita, em Chaves.

Uma conversa com os alunos da Escola Profissional de Chaves sobre as artes culinárias e literárias.

A Ponte Escrita dos autores e seus livros também se fez nos escaparates das lojas, aqui numa espécie de bric-a-brac, qual caverna de Aladino, onte tudo se encontra, até um romance.

A Rua dos Gatos, que me calhou em sortes ser o local do meu conto a trabalhar.

Uma conversa com outros autores, num espaço fenomenal: a Ilha do Cavaleiro.

Por fim, um encontro fantástico com um grupo de professoras e leitoras, que comigo partilharam a mesa na Adega do Faustino e descobriram uma autor com nome de aldeia flaviense, aqui em jeito de despedida e com votos de muitas leituras.

Uma Ponte Escrita que também foi uma Ponte de Afectos, Memórias e Partilhas. Até breve, Chaves.

11.4.16

Ponte Escrita - 1º Encontro de Escritores Luso-Galaico


Nos próximos dias 15, 16 e 17 de Abril irei participar no «Ponte Escrita - 1º Encontro de Escritores Luso-Galaico», que se realiza em Chaves. Além de promover um encontro entre escritores portugueses e galegos, este evento foi um dos projectos vencedores do Orçamento Participativo do Município de Chaves em 2015. 

Na sexta-feira, os escritores irão visitar as diversas escolas do concelho e à noite, pelas 20h00, participam num jantar e serão cultural na Adega do Faustino, aberto ao público através de inscrição.

No sábado, realiza-se uma visita guiada pela cidade de Chaves com o objectivo de os escritores conhecerem melhor a cidade e assim terem inspiração para depois desenvolverem um conto que será uma espécie de roteiro literário sobre Chaves.

O ilustrador Richard Câmara fará um diário gráfico de todo o encontro.

Escritores convidados: Anton Cortizas Amado, Cristina Carvalho, Elena Gallego Abad, Francisco José Viegas, Herculano Pombo, Inma López, João Madureira, José Carlos Barros, Tiago Salazar, José Fanha, Manuel Araújo, Nuno Camarneiro, Olinda Beja, Paulo Moreiras, Rita Taborda Duarte, Richard Câmara e Rui Vieira.

Programa
15 de Abril (sexta-feira)
10h00 - 15h00 - Encontro de escritores com os professores e alunos das escolas da cidade
16h30 - «Ponte Descrita» Workshop de desenho em diário gráfico com Richard Câmara, na Biblioteca Municipal
17h00 - Recepção dos escritores pelo Presidente da Câmara e Alcalde de Verín;
20h00 - Jantar e serão cultural com os escritores e população, no Restaurante Adega Faustino (inscrições no local)

16 de Abril (sábado)
09h00 - «Ponte Descrita» Workshop de desenho em diário gráfico com Richard Câmara, na Biblioteca Municipa
09h15 - Visita Guiada
21h00 - «Impressões de uma Cidade», Conversas com moderação de João Morales, no Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso

17 de Abril (domingo)
10h00 - Visita ao Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso e sede da Eurocidade Chaves-Verín
13h00 - Almoço de encerramento

3.2.16

Contos Imperfeitos



Vinte escritores escreveram vinte contos sobre o Mosteiro da Batalha, um dos monumentos mais visitados de Portugal. Vinte olhares literários diferentes para descobrir, em letra redonda, no próximo dia 6 de Fevereiro, sábado, pelas 16h00, no Auditório do Mosteiro da Batalha. Apareçam.


30.11.15

Tinto no Branco - Festival Literário de Viseu

No próximo fim-de-semana participarei no Tinto no Branco – Festival Literário de Viseu, no Solar do Vinho do Dão, onde irei falar sobre «Contos, lendas e facécias do Vinho», entre outras coisas. Quem puder, apareça.
Toda a programação aqui.


26.10.15

O Almanaque Borda d’Água

O Almanaque Borda d’Água é, talvez, a mais antiga publicação do género em Portugal. Anualmente são vendidos milhares de exemplares aos agricultores e demais interessados de todo o país, que religiosamente o seguem. «Nunca falha», afirmam alguns dos seus leitores.
Certo dia perguntaram ao poeta leiriense Afonso Lopes Vieira qual era o seu livro de cabeceira. Com o humor que lhe era reconhecido respondeu: «O Almanaque Borda d’Água».
Tal era a fama desta publicação, lida e desejada por letrados, agricultores e demais interessados em saber as luas, as marés ou outras importantes informações agrícolas e meteorológicas, que ao longo dos anos o Almanaque Borda d’Água almejou que hoje é difícil conseguir definir qual a data da sua primeira edição. Perde-se nos tempos e na memória.
O exemplar mais antigo que tive oportunidade de consultar é do ano de 1851, impresso em Coimbra pela Imprensa da Universidade e propriedade da viúva de Lourenço João Bernardo. Nesse tempo já ele era apelidado de «o verdadeiro e mais antigo Borda d’Agua», mas com outro nome à cabeça: «Lunario, Prognostico e Diario» (edição de 1858), escrito por «Antonio de Sousa, astronomo lusitano, um maltez da Borda d’Água e Beira» e considerada uma «obra utilissima, segundo as regras astronomicas, aos lavradores, pescadores, pomareiros, hortelões, jardineiros e caçadores». Ainda no frontispício uma quadra alertava os leitores para a veracidade da publicação:

«Acautelae-vos, Freguezes,
De quem vos quer enganar;
Só eu sou o verdadeiro,
O Borda d’Agua sem par».

Tais indicações pressupõem que a publicação era muito anterior à data de 1851. Como era um folheto que muito se vendia, bastas também foram as edições fraudulentas que se editaram, estando o verdadeiro editor alerta e avisando os seus fregueses.
Vendia-se, naqueles tempos, na Rua das Fangas, em Coimbra, na loja da viúva de Lourenço João Bernardo, onde também se vendiam «livros, novellas, tragedias de todas as qualidades, comedias entremezes, e historias curiosas», em Braga, Lamego, Mangualde, Trancoso, Viseu, aos cuidados do «cego Bonifacio José dos Sanctos», em Aveiro «e em todas as feiras, aonde elle se achar». E assim foi durante muito e muitos anos, disseminando-se por todo o Portugal, de lés a lés.
Com o passar dos anos o Almanaque Borda d’Água foi sofrendo alterações, tanto a nível gráfico, tamanho e qualidade de papel, como de boneco, característica essa que bem o identificava perante os leitores, muitos deles analfabetos, que o davam a ler a quem soubesse, para que lhes dessem conta das informações nele contidas.
Até aos anos sessenta, pelo menos, continuou a ser publicado em Coimbra, sendo nesta temporada pertença de Manuel Teixeira, primeiro, e depois sua filha, Deolinda Teixeira, que continuou a publicar o Borda d’Água.
Numa edição para o ano de 1940 surge já como «Repertório», designado como o «mais antigo e mais acreditado». Também no seu frontispício se inserem duas estrofes versejadas, uma delas carregada com um teor nacionalista, bem ao jeito da época:

«Tenho honra em ter nascido
Neste belo Portugal.
Dele já fala o mundo inteiro
Por ter progresso e dinheiro
E um Govêrno sem igual.»

Pouco tempo depois, conta-se, não há provas concretas, terá existido uma edição do Almanaque Borda d’Água que foi apreendida pela PIDE e os seus editores a braços com uma série de problemas. O problema teria sido causado pelas citações de carácter generalista, que habitualmente compunham as páginas, terem sido trocadas por citações de Lenine, Marx e Engels. Contam os editores que desconheciam essas mesmas frases, outros apontam os tipógrafos como os autores do acto revolucionário. A edição ficou suspensa, mas desde há alguns anos a esta parte, novamente começou a ser publicado, desta feita em Lisboa, como Borda d’Água – O Verdadeiro Almanaque, Reportório útil a toda a gente.
E foi, durante muito tempo, o governo da casa e de muitas famílias, principalmente de agricultores, que por ele se guiavam para as sementeiras, enxertias e podas, entre outros úteis e importantes conselhos.
Para muitos, comprar o Almanaque Borda d’Água era uma verdadeira tradição de família, pois sempre um exemplar existia em casa ou já o pai comprava todos os anos. Disso dá conta o prólogo, na edição do ano 1940, em que diz: «E é tão grande o conceito de que gosa esta acreditada folhinha, tão afamada a sua orientação e a veracidade das suas informações, que raras são as famílias portuguêsas que se dispensam de possuir êste Borda d’Agua, o mais barato de quantos se publicam em Portugal.»
No entanto, o Almanaque Borda d’Água não era só utilizado para consulta. Em tempos mais remotos, quando os calendários não existiam com a profusão dos dias de hoje, certas famílias usavam-no como registo e diário de vários factos e acontecimentos, principalmente, ligados à família, como o falecimento ou nascimento de um parente. De geração para geração se transmitia o passado e o registo familiar.

Obs: este texto é uma versão melhorada e reduzida, de um artigo publicado originalmente no Jornal de Leiria, suplemento Viver, em 2001.

Paulo Moreiras

Prémios

O filme de promoção turística «Região de Leiria - Terra de Maravilhas», em que sou o autor do guião, foi galardoado com dois prémios na 8.ª edição do ART&TUR - Festival Internacional de Cinema Turístico, em Gaia, arrecadando o galardão máximo, o «Grande Prémio para o Melhor Filme Português», bem como o «Melhor Filme» na categoria «Destinos Turísticos». Este filme foi realizado pela Slideshow para a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria.


Sobre  o ART&TUR - Festival Internacional de Cinema Turístico pode ler aqui.

16.10.15

«Memórias de um médico esquecido»

Memórias de um médico esquecido é o primeiro livro de Amadeu da Cunha Mora, numa edição de autor, publicado em 1947, e enriquecido com as ilustrações de Trilho y Blanco. É uma obra dedicada «ao médico rural, o esforçado cavaleiro da saúde, cuja inglória odisseia ainda está por escrever», como explica o próprio na entrada do livro.
Médico, jornalista, dramaturgo, Amadeu da Cunha Mora nasceu em Pombal em Novembro de 1901, tendo exercido medicina nesta cidade. Fundou e dirigiu o jornal Terra Mãe, foi redactor principal do Notícias de Pombal e cronista no jornal O Eco, onde assinou a coluna À Ponte Pedrinha, entre 1946 e 1950. Escreveu também diversos artigos médicos em revistas da especialidade e em periódicos nacionais. Sob o pseudónimo Fernando Pacheco escreveu artigos para a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.


Ao abrir as Memórias de um médico esquecido o autor alerta o leitor sobre a origem de algumas das suas crónicas: «O culto pela verdade leva-me ainda a prevenir o leitor descuidado de que nem todos os factos que relato são a tradução de autênticos acontecimentos, em que, porventura, desempenhei o papel de primeiro actor». Ao longo de pequenas histórias, o autor vai desfiando um rol de episódios caricatos e caricaturais sobre as suas vivências como médico de província, num registo cheio de humor e vivacidade. Os títulos das suas histórias são, em si mesmas, já um prenúncio da mordacidade que o autor imprime às suas crónicas. A título de exemplo: O Bomba de Choque; Maria dos Anjos, a neurasténica; A Inácia Funga; O Nabo Careca ou O Sousa esticou.
«Embora desmemoriado, vou colher a essa amálgama informe de recordações, alguns tipos que me saíram ao caminho, não como ladrões de estrada, que, de arcabuz, me exigissem a carteira, mas como cidadãos ordeiros e pacatos, e que são, na aguarela corrida da minha passagem pelo Mundo, outras tantas pinceladas de emoção e originalidade», assim define o autor a forma como algumas das personagens entram nos seus relatos.
O livro de Cunha Mora conheceu posteriormente uma edição em castelhano, em 1950, com o título Memorias de un medico olvidado, (Madrid). Também nesse ano, Cunha Mora volta a publicar um livro sobre as suas aventuras médicas, Deixe ver a língua (Coimbra, 1950).
Amadeu da Cunha Mora veio a falecer em Abril de 1984, em São Paulo, Brasil, onde foi fundador da Sociedade Brasileira de Sexologia, à qual esteve ligado durante dez anos.
«Como os vinhos, que, envelhecendo, se enriquecem de éteres perfumados e subtis, assim as minhas obras poderão valorizar-se na poeira dos séculos… Fica-me esta esperança!»

Paulo Moreiras

6.10.15

Festival Terras d'Aire e Candeeiros 2015


No próximo sábado, dia 10 de Outubro, estarei perto de Alvados, na Quinta da Escola, na Serra de Aire e Candeeiros, para falar sobre Pão & Vinho. É a partir das 19h30, em jeito de acepipe para o repasto que se segue. Pelas 14h30, realiza-se um Workshop de pão caseiro e merendeiras (Belmira Paixão e Belmira Pires). Apareçam.

Mais informações e inscrições aqui.

21.9.15

Pão & Vinho em Setúbal


MUITO CÁ DE CASA | Na próxima sexta-feira, pelas 22h00, estarei na Casa da Cultura, em Setúbal, para falar sobre o Pão & Vinho, com a colaboração de Joana Vida, enóloga da adega Venâncio da Costa Lima, Lda. Haverá uma prova de vinhos. Apareçam.

10.9.15

Dos Modos Nascem Coisas - Festival de Fazedores de Artes


Nos próximos dias 11, 12 e 13 de Setembro irei participar no albergAR-TE 2015, Dos Modos Nascem Coisas - Festival de Fazedores de Artes, em Albergaria-a-Velha, na Alameda 5 de Outubro.


Dos Modos Nascem Coisas - Festival de Fazedores de Artes, assenta numa plataforma de divulgação e formação das artes e dos ofícios, onde o público convive com artistas e criadores, emergentes e/ou de referência em diversas áreas artísticas, do teatro ao circo contemporâneo, das artes-plásticas ao artesanato tradicional e contemporâneo, do vídeo à música, cinema e literatura, propondo um confronto de opções artísticas no sentido de cativar novos públicos não habituados às criações artísticas mais contemporâneas.

Mais informações aqui.